junho 17, 2009


Olhar.
Olhar que tudo medita, que tudo vê, que na ânsia de fervor espreita um tanto da vida já passada, e um certo futuro não prometido, mas promissor, longo e seguro de si próprio.
Olhar esse que tanto já viu, que já existiu, e que nunca fugiu do seu doce canto, de fantasias mágicas, onde a fascinação do castanho se mistura com pinceladas verdes da esperança da regista esquecida.
Olhar que tanto já chorou, lágrimas em fio eternas como o Sol poente, que sabe conquistar pela sua tristeza e amargura, e ao mesmo tempo cativa pela alegria que neles habita, uma alegria alegre, uma alegria que se encaixa em qualquer canto do Mundo.
Olhar que de ingénuo nada tem, que por vezes absorve os transtornos e armadilhas que a vida nos prega, mas é inteligente pois aquele olhar sabe que a vida é um corredor cheio de portas à espera de serem abertas por alguém, talvez mesmo a possuidora desses tão bonitos olhos.
Olhar penetrante que puxa e repuxa o Homem, que cria nele um círculo vistoso, carregado de memórias, que contadas pela aquele olhar sabem tão bem ouvir.
Olhar que conta uma bonita historia, uma bonita vida, uma bonita pessoa, que interfere nos males do mundo, em que a sua lágrima cristalina embate na terra seca, e acalma-a.
Olhar omnipotente, omnipresente e omnisciente, que na sua mira entende sinal e avança sem medo, como um barco numa manha de Sol radiante.
Olhar que repousa no meu pensamento, apenas no meu, que fica guardado num caixa longe do Mundo, num sitio só meu, e quando eu estiver triste, abro a pequena caixa, e olho para tão belos olhos que me vem fazer o sonho ser um mar sem fim, um doce olhar.

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