"Prosa dos anjos desfeitos"
Acabo por não ter palavras suficientes para te dar a entender o que é realmente isto, isto é isto, inexplicável, nem que viesse o Sol ou a Lua, ou tal ciência mais moderna, isto não se explica, isto sente-se. E sente-se de maneira estranha, diferente, eu ainda não percebi bem quem és tu, o que queres, o que fazes, o que dizes, mas na realidade parece tudo tão certo, é rir do pecado, e não ligar ao passado, é seguir em frente sem sequer saber para onde nos leva o Destino. Pode ser tudo um erro e amanha acabar, pode ser acertado e durar tanto tempo, tento mas não entendo, não consigo. Tu, ora tu, fazes-me sentir bem, trazes lembraças, és um vento do Norte que do Norte soprava pela minha janela a dentro, e em mim batia, e me trazia recordações. Gosto de ti, não te condeno. Odeio o facto de saber que estás ai e eu aqui, sinto-me imutável em que se te acontece alguma coisa eu não posso fazer nada, sinto-me inutil em ti. Odeio quando te dou para trás, mas por vezes tem de ser, não quero mais contos de fadas, romances de cavalaria, nem ultras-romantismos, apenas sentimentos, emoções, cor, extravagancias que acabam po preencher o nosso dia-a-dia, mas tu acabas por não estar aqui, e eu não estou ai. Trouxeste-me um sorriso, trouxeste-me o que à muito já tinha partido, tu és a orla branca que vai de ilha em continente, eu nem te descrever consigo, é dificil.
Porque tu sabes que se caís, eu fraquejo mas dou-te a minha mão para te levantar. Não quero ser supra sumo na tua vida, e nesta altura nem exigir nada posso, por causa do tempo aquilo que muitas vezes nos troca as voltas. Vamo-nos deixar levar pelo vento que sopra ao entardecer pelo Alentejo, e ver a bonita planura ensolarada ao final de tarde, o resto não interessa, o resto é acréscimo.
Sabes porque? Porque és um Anjo, e que Anjo és tu?

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