dezembro 18, 2009


Despeço-me.
Espero que tenhas tudo o que alguma vez desejas-te.
Espero que a vida te trate bem.
Espero que consigas agarrar todos os sonhos que me contaste.
Deixei as perspectivas, as conclusões e as introduções, as tuas coisas ficaram cá em casa, escondidas como um tesouro numa ilha, as minhas nem sei, deitaste-as fora, nem quero saber, tanto me faz, já nada me importa porque já nada me atinge. Porque se alguma vez amei alguem, esse alguem foste tu, porque eu dava tudo por ti, dava o que tinha e o que não tinha, mas eu nunca soube se alguma vez tu darias um terço daquilo que eu alguma vez te dei, nem falo em bens materiais mas sim em simples gestos, simples coisas que tu vendes-te ao desbarato na feira dos teus egoismos em que apenas pensaste em ti, e eu? Abandonei o navio, exactamente como um ano antes o tinha feito em Capri sob aquele quente Sol, naquele dia de Agosto. Oh! Imaginava eu que alguma vez te conheceria, jamais, era impensável.
Mas agora nada resta, tudo o que tinha para te dar já acabou, tu? Nada tens para me oferecer nem um simples olhar, porque se te vir alguma vez vou erguer  cabeça e passar por ti, para que vejas que nunca, mas nunca mais me vais conseguir atingir, e sabes porque? Porque tu me ensinaste a ser inatingivel nos momentos em que não estavas presente.
Despeço.
Esta foi a ultima carta, este foi o ultimo desabafo, este foi o ultimo gesto.




Foto: Nápoles-Capri

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