março 19, 2010



Procuro

Procuro despir-me do que aprendi
Originar uma tuberculose mental
Viver só por viver, sem matéria
É como uma artéria
Vazia, sem sague, oca num
Movimento espiral

Procuro despir-me do que vi
Benzer os meus olhos com setas
Chorar lágrimas secas, nulas
Onde a corda ardente dos poetas
Se queima, num vácuo
Sujo, rasurado, esquecido

Procuro despir-me do que escolhi
Não ter nem um sim nem um não
Não andar, não voar, nem me mexer
No grito calado da açucena da própria ceita
Eu não quero nem Paraíso nem Inferno
Porque no inferno já eu tenho eu cama feita
Mas viver só por viver...

Procuro despir-me do que procurei
É como dissipar no vento
É como vir do pó, e ao pó voltar
É como ter a moddora no sentimento
É a suplica do chicote caída no altar
É como estar despido
-Mas despido do que?
Porque na ignorância incrédula e nua
Desvaneçe o que no silênciao se crê

Escrever por escrever, é como fazer uma aventura
Explorar caminhos inexplorados
Sem veredas nem atados
Pela estrada fora
É como correr sem demora
O sentido esse é sonhar

18-03-2010 - Lit.Port.




1 comentário:

DéboraR. disse...

Nao te dispas :OO
Gostei bastante mesmo ;)