Esta branda música da-me o desejo absurdo de sofrer, de sofrer até morrer desgastado pelo tempo, o tempo esse velho que me engrossa o sangue nas veias, quase como cimento. A dor, a dor que é a cama onde me deito observa-me, olhar simples mas constrangedor, apetece-me jorrar em sangue, vê-lo a sair das minhas veias azuladas a pingar para o chão, atingir todas as artérias e sentir o meu cérebro a morrer aos poucos, e aos pedaços o meu corpo cair.
Esta branda música dá-me o desejo absurdo de viver, de viver até ao infinito, iluminado pela luz da branca e fina pérola, a pérola essa replanescente que me alivia o sague, deixando correr como águano riacho. O prazer, o prazer que é o sofá onde me sento observa-me, olhar tentador mas diabólico, apetece-me gritar para fora da minha janela, gritar até me faltar a voz,a tingir todas as cordas vocais e sentir o meu cérebro a quebrar todas as barreiras impostas pela adrenalina, ir mais além, e pouco a pouco, pedaço a pedaço o meu corpo volta a mim.
ALMA! FORA DE MIM!
ALMA! DENTRO DE MIM!
ALMA! TU MENTES A MIM PRÓPRIO!




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