Final de Verão em Portugal.
Mas que tempo degradante, velho e feio, o final do Verão em que a portuguesinha está toda bronzeada prestes a fazer inveja ás amigas do trabalho, ou o Tugga - Man todo poderoso, como Nosso Senhor, que na tasca da lá da rua, se gaba da peida da boazona da empregada de um bar qualquer lá pelos Algarves, é tempo de piadisticos e gabarolas, e tontos e molas, e bronzeados e bronzes á camionistas.
É neste tempo, em que a portuguesinha já se preocupa com os lençois de flanela (estando ainda 35 graus á sombra), que tira os edredons dos armários de cima, em que pelo meio cai cinquenta coisas ou do Jorge Luis ou da Erica Fiona, que alegremente riscam o parket castanho-poia com as conchitas trazidas da Consulação, enfim...
Final de Agosto, as crianças andam com a piriquita aos saltos para começar a escola, e aí é que é ver carrinhos do Modelo, do Intermarché, e de outros sitios carregados de coisas escolares, metade são de facto porcaria, ou é as canetas de cheiros porque a Catia Mariza diz que a as amigas todas tem, e ela também de ter, ou é o João Adalberto que quer um dossier do Spider Man, em que a portuguesinha pensa que o filho anda com ideias de Vai De Rás Ou Satanás, devido ao boneco ser vermelho, andar aos pinotes e ter uns olhos que fazem lembrar um Boca de Sapo que a avó Lucinda á muitos anos espatifára contra um burro.
Crianças gritam pelos supermercados, querem tudo, as mães prestes a atropelá-los com os carrinhos desesperam. As meninas histéricas querem a mala da Barbie e a caneta xpto que cheira a erva daninha, elas nao sabem o que é, mas gostam muito e querem, e limpam o chão do Hiper, pois rolam pelos azulejos, zurram, berram que nem umas cabritinhas á solta. Tipico!
E depois já fora do supermercado, ainda andamos com os pés sujos da areia, já os senhores da Camara andam a por as luzes de Natal, e quem usa sandálias arrisca-se a ser picado por azevinho que já roda pelo chão.
Mas é uma época feliz acima de tudo, onde se gasta milhares em material escolar em que metade desaparece no primeiro dia, ou porque o ciganito rouba da sacola dos outros ou porque as coisas são complexas e as crianças tendo pouca paciência enfiam aquilo no papo-seco que levam na mala feito pela avó com docinho de tomate e jogam fora, e muito alegres lá continuam eles.
E no auge da felicidade portuguesa, vemos o pobre cada vez mais pobre e o rico cada vez mais rico.
E viva ao final de Verão e ao inicio das aulas!



3 comentários:
A qualidade do teu texto não está no número de comentários, mas na ausência deles. Achas que Fernando Pessoa recebia comentários devido às suas publicações na revista, ainda que breve, Orpheu?, e na Águia? Claro está: NÃO! Nem, tão-pouco, José Saramago recebia cartas após a publicação de um dos seus primeiros livros «Levantado do Chão» - e diga-se que foi negado em algumas editoras. Para os que lêem e não comentam permanece apenas na memória a lembrança da leitura. Não esmoreças por isso; procura, imploro-te, o que de genial pode existir em ti.
Fica aqui, enfim, apenas a minha Isolada Saudade de não ter um amigo da área das letras, que escreva e que sinta, como eu, como Lev Tolstói, como Jean-Paul Sartre, como muitos!..., a dor da existência à procura de respostas na consciência.
Um abraço.
gosto tanto deste blog *.*
ah , nao tens de agradecer .
e o 'Adeus' , do Eugenio de Andrade e o meu poema favorito e , para alem de ter lido ha muito tempo o teu blog , « no outro dia » , o titulo chamou-me a atençao e agora estou sempre a espreitar , para ver se tem novidades (:
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