agosto 29, 2010

Lembranças do Sonho.
 Ainda me lembro quando vivia na rua lá do bairro, uma rua pobrezinha, mas com uma graça infinita, onde eu do meu primeiro andar numa janelita pequena com dois vasos de barro na laterais e com duas preciosas sardinheiras sempre floridas, espreitava, e olhava, olhava rua acima, rua abaixo, quem passava, o que se passava.
 Eram outros tempos, tempos esses em que ainda existiam os pregões das varinas que faziam lembrar proas de barcos, carregando os cestos ás costas, vendendo de porta em  porta. Era nesse tempo em que uma rua, era significado de familia, união e força, em que o brejeiro de hoje era tão banal naqueles tempos. Podiamos não ter muito, mas eramos ricos de espirito, ricos de alma, viviamos na típica casa portuguesa, caíada de branco, com uns vasos espalhados pela fachada, uma ou outra janela com cortinados de chita e uma porta verde muito simples, muito bela.
 Foi nessa mesma casa que passei os meus melhores tempos, alegre, em que os meus olhos eram mesmo os peixes verdes da rua, era um ciganinho do bairro, mas eramos felizes. Mas isso era no tempo em que ainda havia tempo e que ainda se sonhava alguma coisa de jeito.

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