Ainda me lembro bem de ir para os tanques mais elas, com as trouxas de roupa suja e na outra mão segurando a pesada e robusta barra de sabão azul e branca, e Azambuja uma terra...
Recordo-me das idas ás fontes, à de Santo António e ao Chafariz do Rossio, a água fresca das calorosas manhãs de Verão onde as varinas como grandes naus varonis sacudiam os ombros como quem folhas ao chão deitava, o peixe, esse fresco vinha do Tejo emproado que ainda hoje acalma a árida terra vaidosa que abarca em si melões que mais tarde eram vendidos de porta em porta, ou os tomates que seguiam vermelhos, reluzentes, o rubios pela estrada fora.
Era outra maneira de ser...
Joava-se á bilha na Tipóia, onde o vaso de barro mal tratado rodava de mão em mão como uma mulher qualquer na taberna do Mário, era pouco mas fazia muito. Mais uma vacada no Pátio do Valeverde se realizava, os valentões erguendo os braços, grunhiam á fera como pescadores ás tormentas nos sonhos, esses presunçosos que de branco caiavam as casas e os barco deixavam morrer á tona dos filhos que já não os criam.
Era no tempo em que o aroma da sardinheiras penduradas na Rua da Olaria ou na Rua Alexandr Vieira faziam vista a quem passava, onde o amolador com a sua guinchada anunciava chuva e onde a Arcada tirava mais uma bica a quem com pressa seguia, sem tempo e bem alheio ao que as senhoras do tempo, envelhecidas mas muito finas comentavam. Pelas montras anunciava-se a chegada de um qualquer circo ou no chão rolava mais um Cartel dos bem sucedidos na Monumental de Zinco ou na Palha Blanco.
Para inveja da ralé os Vidais arejavam as casas, eram tempo do pequenada espreitar os pequenos luxos, ou os reluzentes chandeleirs que desmaiavam numa dança monotona no tecto de mais uma das salas adormecidas.
E essa gente que ao tocar da Sirena dos Bombeiros corria ou para o quartel, situado mais abaixo, ou apressava ao telefone, não telémovel que isso era muito futuro, saber se nas fábricas onde mulheres e homens trabalhavam se encontrava tudo bem...
Duas beatas correm para a igreja na ânsia de acalmarem o histerismo, sacodem as sainhas e de joelhos num pequeno erotismo mordaz e velhaco arregaçam o lenço das costas, sacodem suavemente as ancas com o Sirio sacode o fio de luz, o silêncio come a Igreja.
Cá fora mas uma mercado, centenas de gente segue para as novidades das cassetes, vê botas e estribos, compra amores-perfeitos e pinheiros, num largo empoeirado uma criança descalça tenta vender pensos enquanto um homem ignorando tal feito compra mais uma tabuleiro de madeira...
"E um zambujeiro por brasão...
E um zambujeiro por brasão..."


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