Que Deus me perdoe, se com pena acordar e com pena de deitar, se no meu sono marterizado me cravam cruzes Dele nas costas onde escorrem, à dolorosa luz da candeia, gotas de sangue vivo ou morto, depende do meu estado, depende da minha Alma.
Nem se quer me pertence, o Fado, o triste Fado que prova como sou desgraçado mesmo quando não o canto, nem o sinto no coração, na cabeça, na voz.
Se a minha alma pudesse mostrar o que eu sofro calado, mas não pode, não pode nem ela quer, assim todos conseguiam ver na miséria em que me tornei...
Que Deus me perdoe, se com lágrimas acordar e com sede me deitar, se no meu sono marterizado me espetam setas como a um santo qualquer, um qualquer que Deus não teve piedade, se é pecado pensar assim, que Deus me perdoe.


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