Mãe da Lágrimas
Mãe das Lágrimas, chorava, chorava noites a fio, chorava tanto que um dia dela brotou um lago, onde os seus filhos se deleitavam sobre as águas da mãe, onde pelos seus cabelos faziam grandes sombras para se regalarem do alto e bom Sol que existia, mas Mãe das Lágrimas era triste, ela não gostava dos filhos, ela não gostava de si mesma, julgava-se uma vaca parideira que o marido lançou ao celeiro pouco tempo depois de terem nascido as crianças, julgava-se só, mesmo no meio de tanta gente. Não sabia desfrutar, apenas chorava, ela não tinha leite nos seus mamilos de Vénus, tinha raiva, raiva essa que eram chupada, sugada, lambida após cada mama dos seus filhos.Mas num dia, Mãe das Lágrimas deixou de chorar, parou, simplesmente a sua nascente parou, e no lugar da agua veio o sangue. Sangue, que à primeira vista parecia vinho, arroxado, espesso, mas que para os seus filhos, bezerros de cólera, era apenas um sinal de Baco, uma oferta, para que a vaca parideira parasse de chorar foi então que ao beberem da sua sangria se mataram, se mataram por ser sangue do seu sangue a escorrerem-lhe pela garganta, que lhes atrofiou os orgãos, deixando-os à margem de larvas e de outros germes com gordura entranhada.
Mãe das Lágrimas, parou, sustendeu bem as suas gotas, e fez força, força para que o sangue parasse transformando-se em água.
Mas ela tinha morto os filhos... Então, desenfreada, e semi-nua sentou-se num beirado de telhado, e chorou, chorou na esperança que os filhos fossem jorrados dos seus olhos, pelo amor incondicional, e que apesar de tudo ela tinha pelas crias. Hoje em dia o pouco que resta de Mãe das Lágrimas é a pequena e doce expressão: És o menino(a) dos meus olhos.


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