junho 04, 2012

Cocaína.
Sinto que vou rebentar, o vazio que me preenche rebenta, sinto que isto não vai durar muito mais, eu vou esticar a corda, vou-lhe dar dois nós e fazer um aro e vou colocá-lo em meu torno, vou deitar três lágrimas: a santíssima trindade, eu, a corda e o choro, três elementos que se tornam perfeitos num ambiente hostil carregado de loucura e de puro desejo, daquele tão puro que espalha cocaína pelo soalho e não só.
Pó, sou pó, estou péssimo, aliás como consigo eu usar o verbo sentir, se eu não me sinto à anos, como é possível continuar a ser tão hipócrita comigo mesmo, eu minto-me a mim mesmo e pareço gostar, pareço gostar de estalos, pontapés, de dor.
Como utilizo eu o sentido pessoal? sinto? minto-me? Eu não sou ninguém, não sou ser vil deitado no beirado da janela (oh, e como adorava eu a vista daquela janela onde podia passar cinco minutos e já me enchia o dia) era naquele tempo em que o pouco me preenchia, agora nada me cativa, nada me satisfaz, a própria morte não me satisfaz preciso de mais, mas se ao morrer fico mais cheio de mim, então que seja: Mato-me.

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