""Ainda me lembro, das estaladas que gramava por causa de ti, por favor isso sim era ridiculo, não tinha ponta por onde se pegasse, mas leva-as e muitas, sabes, daquelas que a mão ficava marcada na cara durante dias, dias esses em que eu não te queria ver.
Eu para ti era lume, que já não tinha mais por onde arder, ainda te lembras? Que belos dias, mas e naquele em que não apareci? Ainda te lembras do que aconteceu a seguir, epá fui ao chão, e ainda hoje escondo as merdas das marcas que deixas-te, és uma pessoa triste que agora não tem onde cair morta, mas antes da tua queda, muitas dei eu. Era eu uma pessoa tão estupida era de facto, porque estava sempre a teu lado.
As quedas houve tantas, a das escadas, em que me empurraste e acabei por ter que ir para o Hospital com um traumatismo quase encefálico, e tu? Nem lá apareceste, que mágoa, que miséria.
"-Foda-se deixa-me", e fumava mais um cigarro e viravas-te te e rebaixavas-me mesmo abaixo de cão, que não valia nada, que nunca fui nada, que era mais uma pessoa que tinha parecido, que era estorvo? Mais uma pça de colecção daquelas expontas em jantar, uma pessoa coberta de belos trapos que acabavas por rasgar, ou das pedras como aquela que me trouxeste da Somália, que me a partiste, bem mas já não quero saber.
Agora penso... Um estorvo, exactamente mas não me arrependo porque enquanto todos caiam, eu pelos menos ia jantar ao Oliver, acabava o dia num bar em Alcantara e á noite "dormia" na suite de 270 metros quadrados com vista para o rio, jacuzzi, toalhas de Santa Fé, e um leve odor a jasmim, apelativo não achavam? Mas não era, era mais uma de (muitas) máscaras que obrigavam-me a por, e por entre copos de cristal, chandeleires Swarosviski, mesas e mesinhas de mogno, eu não te resistia, mas sabia a perfeita merda que eras, mas eras tu e isso eu jamais poderia controlar.
Os tempos passaram, fiz-me á vida, recompos-me, e vivo e ás vezes ainda me lembro de ti, com esse teu ar, com esse teu ar de cigarro mal pagado num cinzeiro de vidro, um de muitos que me chegaste até a oferecer e depois a atires-me com ele acima, por isso ainda hoje tenho por cima do lábio a cicatriz da estátua de Venús, que um dia de loquencia tua voou e me espatifou em sangue, engraçado, Venús a Deusa do Amor. Quem diria.
Querem saber o meu nome? Não interessa, porque á partida que eu não quero saber o vosso, voces não tem de saber o meu, porque á partida que não interesso, e voces também, o meu nome não vos diz nada, nada, nada.
Retalhos da cara fechada que era, agora prefiro repartir o pão do que ter um só para mim em que a água que o molhava eram lagrimas provocadas por ti.""


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