Campinos do Ribatejo.
Homens, queimados pelo Sol, como seara ao vento em Agosto, são labuta da madrugada, o seu olhar conta uma história, contam a vida de uma Casa, Ganadaria, Maioral. O verde esperança do barrete, o castanho força do Pampilho e o vermelho sangue da cinta, tão crentes Campinos do Ribatejo. Vá nele tal grandeza como existe numa escultura, é um raça que alguem modelou, nem sabem como os invejo ao vê-los pela manha.
Esses bravos animais são mais leais que muita gente.
Toiro tresmalhado, é o animal que o pampilhou se ferrou, alto, robusto, Palha, Ortigão, Zenkel, brilham naquele negro de ébano, na colorida Maestranza de Sevilha encantam, na Vista Alegre seduzem, na Palha Blanco relembram, no Campo Pequeno contam, e contam a vida que começa onde nasce o Sol e acaba lá quando ele se poe. Touro! Animal tão vivo, real criatura dos campos, és tu que mandas, e que da Quinta vos vejo, pontos pretos na verdura do Palácio, que contrastam tão bem, numa harmonia tão de Gado.
Como são belas até vistas da contra-luz.
Vão até Vila Franca e aconselho a verem a praça da Ponte, amarela de traços vermelhos, o Por do Sol vermelho e os campinos no Cabo, troteando até eles, como miudos que jogam á apanhada.
Vão até Samora e a meu conselho, percam-se nas ruas, no ambiante do Ribatejo, de gente feliz e de gente sã, é toiros, é gado, é Tejo refletindo a vida daquelas gentes.
Vão até á Azambuja, e redonda de luz, um torricado e copo de abafado é elixir dentro da alma que a lava e a desprende. É nesta terra, aquelas largadas, as janelas engalanadas onde moças bonitas se debruçam, o eterno olhar de touro negro ouvindo um pequeno som.
Vão até Salvaterra, onde a cidade é campo, onde o touro negro está presente em todo o lado, é sina, é fado, é licor por um fio redentor.
E tantas mais existem, tão diferentes, poucos distantes, defendendo o que melhor tem de sim, como uma mão que passa desertos, passa rios e mares em busca do filho.




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