setembro 17, 2011


 


O almoço português.

Geralmente é aos Domingos por volta da uma da tarde, com o Sol bem alto e um calorzinho daqueles dignos de Verão.
 O pessoal começa a chegar. Os cheiros intensificam-se entre os pimentos assados, as sardinhas, a febras, ou as tostinhas que são acompanhadas com refinadissimos patés de sardinha e atúm.
 DESCAMBAMENTO Nº 1
Primeiro tudo quer ajudar e ninguém faz nada, são lutas incessantes para levar a taça da salada para a mesa, ou os guarnapos e digo mesmo o palitos que são só para o final da refeição, mas leva-se já para depois com a mula cheia não se ter de levantar, fica então a mesa atulhada de coisas, ora é couvettes de gelo, ou é taças já para a mousse da avó Idalina ou os talheres com peixinhos que o Igor o filho do primo do sogro da Mari´ Olivia trouxe do Canadá, é imigrante, está lá acerca de três meses e já não distingue o estádio do Benfica do do Sporting, quanto mais falar português ou saber a gastronomia tradicional! Mas mesmo assim leva super tupperwares com saladas que fazem lembrar as do Macdonals (e aposto que vieram de lá) mega plásticas!
DESCAMBAMENTO Nº2
Na mesa é uma total bagunça, a Otilia muito fina, muito senhora de si, considera-se uma senhora com porte mas diz que lhe falta o dinheiro, queixa-se que lhe tiraram a ADSE e que lhe faz subir a tensão come mais um persuntinho que o Tó trouxe de Chaves quando lá foi de autocarro mais os velhos do lar.. As crianças berram mergulham as mãos nos 4563 pratos variados e atulhados que pingam a toalha que foi a Vó Lena que fez no tempo em que distinguia uma colher de pau de uma agulha de crochet, enfim são vidas.
 A conversas rolam entre o futebol, que segundo o Mateus, o Umbelino é uma autentica, e desculpem o palavreado: "uma merda, que não jogam nada e que só querem é Irinas Gallardo, olhem só a cultura da codrilhice, mas quando se ouve este estridente nome meio russo meio espanhol, a Luisa solta um grito que lhe faz voar um bocado da bacalhau de boca e diz "não, não, ele agora já tem outra que foi maltratada e comeu do lixo, juro-te Lino ´tava na TV7dias", e ouve-se um gargalhada geral: "Tv7dias? Então aposto que é verdade!"
 Com tudo cagado e com comida pelo chão, as crianças gordurosas do cabelo aos pés lutam com ossos de vaca que deambulam pelo chão, pois o Zé Luis está podre de bebedo e pensa que está no "Bulling" ou seja "Bowling" no "CudoLombo" ou seja "Colombo".
 E depois demoram anos a comer, os que vivem em Lisboa à menos de um mês vem mega bem vestidos, onde a Tó, que na realidade se chama Antónia Manuela mas agora acha-se a tiazinha de Arroios, vem com brutos saltos altos que a avó Clementina pensava, devido a ser pitósga, que eram um gato com os copos. em cima de umas antas, devido a tanto bambolear...
DESCAMBAMENTO Nº3
 Agora surge a parte em que todos tem diabetes, e os que mais vezes dizem são os que mais comem, é a hora da sobremesa! Esqueçam tudo o que ouviram sobre bolos rebordadissimos e com corações, aqui só há pudins de ovos, mousses, molotoff, feito pela Belinha que acha ser um bolo russo e tem a mania de ser sempre muito exótica, e outros mais com pasteis de nata, sortidos do Lidl, e claro o que não podia faltar: arroz doce!
 Como tem tudo a pança cheia, ninguem se quer mexer, pedem aos miudos para fazerem um "pijama" ou uma "vaquinha" ou seja por um bocadinho de cada bolo num prato, claro que as crianças tem de ir buscar as travessas do forno para cada um, porque há centenas de bolos secos, bolos cremosos, mousses, pronto! chega! Já está tudo com os açucares na veia e aí surge as queixas:
Abel: "Eh Maria tenho de ir mandar "uma fax" ali ao quarto de banho"
Adelina: "Ai caredo, tenho de ir ver os diabos (diabetes) devem estar aos pulinhos"
Claudemiro: esse não fala, apenas solta um som vindo das entranhas do seu ser que faz esvoaçar os cabelos da Olinda.
Poliana: "Je parecer une Baleia" - tipica imigrante cheia de ouro.
Urbana: estalito com a boca "Ando no Tallón pra isto"
DESCAMBAMENTO Nº4
 Os arrumos, é a pior parte, é a parte em que o Abel diz que tem as vacas para tratar, a Poliana diz que tem de ir apanhar o vue (voo) para Paris, os de Lisboa inventam que naquela hora não se pagam entradas nas portagens para a capital, o Lino diz que tem de fazer a caminhada para "desmoer",pois deve-se considerar um rominante, todo o almoço.
 E assim é, tudo se vai embora, e ficam sempre os mesmos a arrumar o lindo almoço com loiça de Sacavém e toalhas bordadas à mão, mas que importa? Não é desgraça ser pobre, desgraça é não haver mais almoços assim!

Sem comentários: