setembro 22, 2011


Réstias de cinza, réstias de pó, réstias de nada.
 Vim da cinza poeirenta numa manhã de vento, vento forte e duro que batia com força nas janelas da casa, já tinha previsto que ia sofrer em silêncio, senão toda a gente veria quanto sou desgraçado e quanto finjo alegria.
 Que deus me perdoe, mas eu sou assim, peço perdão.
 Não penso porque não consigo pensar em nada senão num nada cheio de pó. E vim do pó, pois o tempo por mim passou, tal como passaram Verões e Primaveras e dias de cinza onde eu saía sempre à rua vestido de capas negras e olhos verdes d´agonia.
 Uma dia vi teu braço acenando... E que Deus me perdoe se ao ver aquele pobre gesto não senti absolutamente nada a não ser, réstias de cinza, réstias de pó, réstia de nada, algures no sotão onde pelos vidros era lançada areia d´ilusão.

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