Olha para mim.
Percebe que não passámos de dois naúfragos que nada em comum tinham, nem mar, nem vida, nem luz.
E hoje entendi que isto era o fim, porque te vi desaparecer em mar alto, talvez um dia, em que menos sonhes, o vento me leve até a teu bordo e ai ficaremos os dois de boa maré até chegar a bom porto, mas isso é num dia, daqueles em que as gaivotas andam em terra, e que no meio da tempestade que urge lá pelas águas negras eu te apareça pela frente, mas antes disso olha para mim, olha para terra e mostra-me o azulado dos teus olhos que me levam a navegar até perto de ti, mesmo com gaivotas em terra.

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