julho 19, 2010

Lunário Pérpetuo
Por mais que me sente, perto do ribeiro bravo que o presente trouxe carregado de rebeldia, loucura, mas também podridão e espécie, não consigo jamais ver o meu reflexo através da cristalina água, pois agora esta corre rápido, como nós corremos, é distorcida, como nós somos um para o outro, brava, como a nossa alma se tornou velha.
 Nós fomos como o leite, mais tarde ou mais cedo acabamos por azedar, mas na realidade nunca pensei que este azedume que ficou especado no meio de nós fosse tão dificil, tão potrefacto como os actos que agora fazemos, em vão, claro.
 Porque eu conto os dias, as horas, os minutos, e os segundos ficam para quem pouco alcança, pois eu conto dias, meses, semanas, algo em grande, como tu, grande. Os segundos são dos fracos, daqueles que pensam que a vida termina ou ela  para nós na realidade começa, onde a força dos outros escasseia, e onde a nossa aumenta, e é bem lá ao fundo que o teu nome corre de boca em boca, e quando alcança a minha, fecho-a, calo-a, para te ter só para mim, nem que seja no sabor azedo da tua palavra, tão tua e tão minha.

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