agosto 27, 2012


O salto.
Tudo está bem, sente-se o vento com a bravura (quase doce) que nos eleva a face, que nos faz as pernas tremer de arrepios por nada termos por baixo, toda a irrealidade começa num salto, num ápice tudo se altera, ficamos sem chão, sem base, onde agarrar, a realidade desprende-se do nosso corpo, ficamos imunes a qualquer coisa naquela momento, nada nos toca, o ar serve de cobertura, apenas o sentimos como um corrente. Quando saltamos não pensamos em nada, nem nas consequências, nem nas causas, saltamos e pronto, não queremos saber de um possível queda que damos.

A queda.
Acontece rápida e faz um embate no chão, é só a primeira dor, o primeiro toque na realidade, a primeira mazela feita pela queda, daquelas em que não pensamos, apenas sentimos algo que nos desloca cada osso, que nos esborracha cada veia, os músculos enfraquecem damos três ou quatro tremores no chão como se fossemos cuspir algo, significa a realidade a chegar e a irrealidade e dispersar-se e sair com uma volúpia tal.
Estamos magoados, feridos, dormentes e pouco conscientes, tudo por causa daquele lançamento que teimámos em fazer, em querer dar, em prol de alguma coisa, de termos proveito com ele.

O embate.
Mata-nos, destroi uma pessoa e nada mais há a dizer porque a vida se vai, se dissipa.

Tanta coisa para falar de amor, tanta coisa para explicar que isto não passa dos passos da paixão, que agora sei por que chama assim e termina em "xão" porque mais tarde ou mais cedo todos caímos e cedo ou não acabamos por nos levantar, continuar a andar até um dia, quem sabe "cairmos" de amores por alguém, tudo gira em torno do mesmo, de saltos, de quedas, e confesso, há dias em que me apetece saltar, mas não cair, ser apanhado por alguém.

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