outubro 05, 2009


(Lê, a ouvir a música)

A Contradição Mundana
Em tal desespero ela percorria a casa, descalça, com um camiseiro branco, o silêncio e paz da casa era misturado com a barafunda exterior, a mansão estava a ser brutalmente atingida por uma tempestade, tudo o que não estava preso ao chão, voava e desaparecia no ar, por entre chuva, animais que adejavam, potes que caiam quase numa dança viciante, ela lá dentro, quase alenta á confusão exterior, procurava alguém, uma pessoa, uma luz, um movimento.
 Passou pela primeira sala, onde os quadros da familia, olhavam atentamente para os sofás, na mesinha de nogueira três passarinhos de loiça e três nenúfares chineses faziam vista a quem entrava. Não ligou. Fechou porta. Apressou o passo.
 No entanto no corredor longo e escuro, ouve passos no andar superior, aumenta o batimento cardiaco, aumenta o andar, aumenta o medo.Uma vela apaga-se.
 Já nas escadas onde dois anjos que seguravam os lampiões agora apagados, pareciam mortos, escondiam algo, um segredo, uma mutação a propria casa, algo ia acontecer.
  Já no piso superior, escondida entre quadros de guerra , cadeiras de veludo vermelhas, armas medievais, vê no quartinho do fundo, de porta branca lacada, um vulto que de repente emerge de si próprio uma faca, e quando atinge o pico, um raio dá luz a todo aquele espaço, inicia o declinio daquele objecto cortante, que se enterra em algo tenro, que provoca um som do qual não existe descrição, e ouve-se uma voz dizendo: "-Come puta, come!". Aterrorizada sai daquele sitio, e vai a uma porta entre-aberta onde um candeeiro a gás quase teimava em deixar sair o seu brilho, em frente vê a irmã com bonitos canudos no cabelo, reclinada no toucador, pensou então que poderia ter adormecido ali, mas não, e o que fez a seguir iria persegui-la para o resto da sua vida.
"-Ana, acorda, Ana."
 No baloiçar, em que tentava acorda-la, o seu corpo meio nu cai sobre o chão, onde pessarosos musculos invadiam o chão juntamente com sangue, a cabeça, essa ficou deitada no tocador, num compasso suavissimo.
 Com medo, puro medo, correu agarrando no gatinho, e já na cozinha branca e lisa parecendo uma paisagem dos Alpes suiços, escondeu-se num armário. O receio era tal que ao apertar o gatinho preto não percebeu que este lhe esgatanhava os pequenos e redondinhos seios, fazendo sangue. De repente, alguém chega á cozinha, abre a porta e...


1 comentário:

Anónimo disse...

:) Porque dizes isso?

"Mas que bem"


Beijo *